Uma pesquisa do DataSenado e do Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Senado Federal, revela a dimensão da subnotificação da violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil. De acordo com a atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, cerca de 29 milhões de brasileiras passaram por alguma situação de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses. Desse total, 26,84 milhões, ou 93,6%, estão na chamada lacuna entre a violência vivenciada e a busca por proteção policial.
O levantamento mostra que muitas mulheres passam por situações de agressão, mas não identificam espontaneamente aquilo que viveram como violência doméstica ou familiar. Cerca de 24,97 milhões de vítimas, aproximadamente 87%, relataram situações concretas de violência sem reconhecê-las ou nomeá-las espontaneamente como violência.
Entre as situações investigadas estão diferentes formas de violência, incluindo agressões psicológicas, morais e físicas, além de outras modalidades de violência doméstica e familiar e agressões digitais.
Violência ainda é pouco reconhecida
Um dos principais alertas da pesquisa é a distância entre a violência vivenciada e a percepção da própria vítima. Segundo o DataSenado, uma em cada três brasileiras relatou ter vivido pelo menos uma situação de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses.
Apesar disso, apenas 4% declararam espontaneamente ter sofrido violência. Outros 29% não se reconheceram como vítimas, embora tenham relatado situações concretas de agressão.
A pesquisa também aponta que, entre as mulheres que declararam ter sofrido violência doméstica ou familiar no último ano, 58% não notificaram a agressão à autoridade policial.
Busca por ajuda
Mesmo diante desse cenário, parte das vítimas procura apoio. A família aparece como a principal rede de amparo, procurada por 57% das mulheres. As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher foram procuradas por 28%, enquanto 11% ligaram para o Ligue 180, canal de orientação e denúncia.
O levantamento foi realizado pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência e ouviu 21.641 brasileiras com 16 anos ou mais, entre maio e julho de 2025, em todos os estados e no Distrito Federal.
Os dados reforçam a necessidade de ampliar a informação, o acolhimento e o acesso das mulheres aos serviços de proteção, especialmente para que situações de violência sejam reconhecidas e denunciadas antes que se agravem.











