A China, uma das principais compradoras de carne de frango do Brasil, está ampliando sua produção e poderá disputar espaço com os brasileiros no mercado internacional ao longo da próxima década. A avaliação é da especialista em proteínas animais Chenjun Pan, do Rabobank, instituição que acompanha as tendências do agronegócio mundial.
Segundo informações divulgadas pela agência Reuters em setembro de 2026, a produção chinesa de carne de frango cresceu mais de 9% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. O avanço ocorreu após uma expansão de aproximadamente 7% ao longo do ano passado.
A mudança representa uma transformação importante no comércio internacional da proteína. Em 2025, a China passou a exportar mais carne de frango do que importar, tornando-se exportadora líquida do produto.
excedente de produção impulsiona exportações
O crescimento da produção chinesa tem gerado excedentes de determinados cortes, especialmente o peito de frango, que possui menor procura entre os consumidores locais. Na China, há preferência por outras partes da ave, como asas e pés.
Com isso, o país passou a direcionar parte dessa produção para o mercado externo, ampliando as vendas para destinos como Rússia, Hong Kong, Coreia do Norte e países do Oriente Médio.
A estratégia chinesa também está relacionada aos esforços para diversificar o consumo de proteínas animais e reduzir a dependência da carne suína, tradicionalmente muito consumida no país.
brasil mantém liderança mundial
Apesar do avanço chinês, o Brasil continua sendo o principal exportador mundial de carne de frango. De acordo com dados citados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país exportou aproximadamente 5,3 milhões de toneladas em 2025, enquanto a China embarcou pouco mais de 1 milhão de toneladas.
A diferença mostra que o Brasil ainda possui uma vantagem expressiva no comércio internacional. Entretanto, o crescimento da produção asiática pode aumentar a concorrência por compradores e pressionar os preços em determinados mercados.
A preocupação envolve principalmente regiões como o Oriente Médio, além de países da Ásia e da África, onde os dois produtores poderão disputar contratos de fornecimento nos próximos anos.
barreiras sanitárias limitam a concorrência
Mesmo com o avanço das exportações, a China ainda enfrenta restrições para entrar em alguns mercados importantes. Segundo a análise do Rabobank, países como os integrantes da União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul possuem exigências sanitárias que dificultam a comercialização de carne proveniente de aves vacinadas contra a gripe aviária, estratégia utilizada pela China para combater a doença.
Essas limitações reduzem, neste momento, a concorrência direta com o Brasil em determinados destinos internacionais.
desafio para o agronegócio brasileiro
Para o setor avícola brasileiro, o crescimento da produção chinesa reforça a importância de manter a competitividade, investir em eficiência produtiva e ampliar a presença em diferentes mercados.
O Brasil possui uma cadeia de produção consolidada, experiência exportadora e participação relevante no abastecimento mundial de carne de frango. Ainda assim, o fortalecimento de concorrentes internacionais exige atenção às mudanças no consumo, aos custos de produção e às exigências sanitárias dos países compradores.
A avaliação dos especialistas é que a disputa não deve ocorrer de forma imediata em todos os mercados, mas poderá ganhar força ao longo da próxima década. Para o agronegócio brasileiro, acompanhar essa transformação será fundamental para preservar a liderança nas exportações e as oportunidades comerciais do setor.
Fonte: Reuters, com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).












